quinta-feira, 8 de maio de 2008

Junquilho




JUNQUILHO
Milamarian


Tu, dourado perfume de fina erva
incensando sereno o silvestre ar
és flor primeira na brisa a balouçar
o amor qual Adão junto a sua Eva.


Sagrada e elegante campânula branca
nas reverdecidas folhas tu garantes
o desabrochar da quinta lua no mirante
onde és fruto das nobres covancas.


Perene é tu'alma no solo deste poema
quando teu cerne esguio curva e deita
tanto respeito ante o sol e o emblema.


Alvo junquilho do xilema vermelho
duplicando a corola sangras tua seiva
em minha verve, no meu fértil lenho.

Em 8 de maio de 2008.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Thunder Gods Kamikaze, No Solo Pátrio Tua Raiz




THUNDER GODS KAMIKAZE,
NO SOLO PÁTRIO TUA RAIZ*
Milamarian


Carregava a sombra da guerra
nos tristonhos olhos já secos
nenhuma lágrima sobre o terço
nem no frio mármore na terra.


Do mundo gigante a impressão
de nada ser, de não ter ninguém
o firmamento pendia, era ela refém
sob os escombros da devastação.


O amor deposto sem brilho algum
era passante da vida sem norte
abaixo o brasido daquele fartum.


No silêncio do pó nem náusea sentia
a dor nas entranhas era da vã morte
que da falta de discernimento advinha.



Em 7 de maio de 2008.

À Y.K.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Teu Amor Não É Mera Palavra



TEU AMOR NÃO É MERA PALAVRA
Milamarian


Além do meu infinito há o teu
sem gomas, rancor, nem sanha
onde expluem em linha mediana
filigranas num único espondeu.


Disseste-me em promessa, ser
cursiva a distância entre versos
e pousar assim todo o universo
em uno laço, o teu ao meu viver.


E de súbito palavras já não mais!
Manifesto o sentimento verdadeiro
cumpriste tu, o verbo nos dorsais,


mitigando tempo e distância,
do dourado periélio ao outeiro
no perfeito amor em redundância.


Em 6 de maio de 2008.



segunda-feira, 5 de maio de 2008

Na Pedra, De Pedra E Cal

Na Pedra, De Pedra E Cal
Milamarian


A nudez de teu nome eu formulo,
o silêncio que no meu cerne anda
e outro verso em metáfora sangra
o poema deste amor ora desnudo!


À flor da pele emergem as entranhas
atendidas pela urgência de teus lábios
ao segredo contido no róseo adágio
que ao fado se rende e acompanha.


A enseada delineada pelo zelo do farol
evoca o agitar das alvas luvas em ustão
agasalhadas por branca alma em caracol


selando crateras e espaços no arrabalde
e todo e qualquer vestígio neste chão
com a aliança do amor e da verdade.


Em 5 de maio de 2008.

domingo, 4 de maio de 2008

Lezíria



Lezíria
Milamarian


Versejo-te benquisto vento
que desprende a frágil flor
e no duerno, deitado o amor
dançam os sinos do templo.


Murmuram pequenas ribeiras
sorrisos de água e gotas de sal
inclinando do Sado o fino cristal
à forte serra de pele morena.


Mil fontes jorram o encanto
em salpicos de tantas estrelas
(na prateada cuba) este canto,


quando ao alcácer se eleva
a entrega de tão cálida seiva
na dourada talha da capela.


Em 4 de maio de 2008.

sábado, 3 de maio de 2008

Pólen De Aquarela




Pólen De Aquarela
Milamarian


À Lesliebravin



Sobrevoa este oceano
pingo d'ouro d'outra dimensão
beija a lua, resvala o chão
é fio dourado e soberano.


Hialino alcança o arrebol
maná que irriga esta terra
vem do outono à primavera
é letra que irradia o rei-sol.


Reclina suave na tapera
(onde o telheiro é vermelho)
e cândidos versos prolifera,


Diz que é um grão de néon talvez...
cadente no versejar que leio
mas te digo: é pólen em buquês.



Em 3 de maio de 2008.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Sagrado Atavio



Sagrado Atavio
Milamarian


Docemente me levas em frente
no teu colo ao Algarve da certeza
aos arroios onde com a pureza
só tua seiva batiza vertentes.


Na ribeira onde a amendoeira
sorri, me chamas "tua pequenina"
e rendilho em ti, gotas cristalinas
num marasquino de cerejeiras.


Na lauda de minh'alma escreves
tua vida na minha por tudo e nada
com o ébano deitado na neve,


molhas as folhas com teu brio
sangrando teu fado em minha quadra
e me rendes ao dourado atavio.


Em 2 de maio de 2008.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Biliteral




Biliteral
Milamarian


Muito além daquele infinito
onde valsam estrelas e luas
sobre montanhas e dunas;
o amor que se vê é inaudito.



Firme rocha, espírito elevado
cinzela na ardósia sem fintar
o azul do céu caindo ao mar
e toma posse daquele ducado.



No fiorde a água que desce
atravessa a senda e sossega
o agreste cortante e oferece



o leito ornado por fino calhau,
juramenta pedra sobre pedra
pelo cálice e hóstia, biliteral.


Em 1 de maio de 2008.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Princípio, Meio E Fim



Princípio, Meio E Fim
Milamarian


Gerado de um brando eflúvio
progênie sutil da suave vereda,
caminho florido ao mar da pureza
onde a verdade cai em dilúvio.

Sopra no tenro seio da terra
a égide sobre o meu peito
amparando nos meus permeios
a porção maior e te apoderas!

Metade de mim! És tu o início
da história deitada no chão
onde colheste os resquícios

e acolhendo em teu bergantim
(num intenso amor) o medalhão,
te fizeste princípio, meio e fim.

Em 30 de abril de 2008.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Versos Eternos






Versos Eternos
Milamarian


Apurados a prata e o dourado
matizados pelo cintilar da lua
prossiga a noite calma e nua
no frescor do vôo desenhado.

Ilumine-se o verbo na alvorada
reverdecendo os olhos d'alma
com o brilho da estrela d'alva
na verdade que não é acrobata.

Cinzele assim na tua seda nobre
as palavras que nascem do meu ser,
e em difusa luz ao céu desdobre

o flutuar do amor que trespassa
vales e montes para em ti viver
a plenitude de bençãos e graça.

Em 29 de abril de 2008.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Pequena Morte

Pequena Morte
Milamarian




Não há como definir este meu júbilo
do plausível assédio de todo teu ser
que encontra e me junta para renascer
num alfa_ômega tão só teu e único.


Afagos que me vergam muito além
aos céus do teu porto onde ancoro
a vida num segundo e incorporo
o cerne ao teu que de nada me abstém.


Incomensurável que rasga e invade
retira-me de mim e subo aos poucos
no silêncio das entranhas onde arde


a pequena morte que me vale tudo!
E só tu podes sentir o sismo rouco
do oriente que se rende ao solo luso.



Em 28 de abril de 2008.


domingo, 27 de abril de 2008

Nada É Impossível



Nada É Impossível
Milamarian



Perguntaste tu se era possível
dizer te amo, sorrir de olhos cerrados
e na concha dos dedos entrelaçados,
deste-me a seiva em devoção visível.

Tuas grisalhas mechas no momento
brilharam qual a neve sobre o monte
cruzando a terra ao novo horizonte
em lenitivo cobriram teu rebento.

Ora te digo: "À luz que tu carregas,
a gota de teu frasco pleno de amor
(aos meus favos) é lavanda que não seca,

anoitece o ontem e o dia depressa
ouve o gorjeio orvalhar em nova cor
na sonata que ao teu anil se manifesta."



Em 27 de abril de 2008.

sábado, 26 de abril de 2008

Telúrico




Telúrico
Milamarian


De oásis a sáfaro deserto
partido de sete em sete
a água no último verbete
e tu...no fundo lodo imerso.


Da Suprema Graça à clausura
velado pela guerra da ambição
padeces num caos de inanição
atônito à morte da Ventura.


Limitado o próprio saldo
és palavra solta em letra torta
"esmeralda em azul cobalto",


e na estrada, riem os sofistas
riscando em negro tuas portas
cerrando a última cortina.


Em 26 de abril de 2008.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

No Papel Japonês




No Papel Japonês
Milamarian


Do bambu ou do arroz a fina palha
ao pincelar das tuas cerdas de guerreiro
e num cursivo traço ao parapeito
delineie bem suave u'a ária.


Conclua o ideograma c'o carvão
batido à rubra tinta da escrita
e faça o teu caminho sem desditas
em plenitude de alma e coração.


Atravesse as linhas do branco papel
e avance, só teu nome assinalando
nos dois lados da fibra e do vergel,


e segura imprimo a teu contento
a calidez do ventre meu ao teu sangrando
em devoção ao sagrado juramento.



Em 25 de abril de 2008.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Milhã




Milhã
Milamarian




Mil folhas caiam em palavras fortes
nas páginas úmidas e brilhantes
pelo orvalhar suave e exuberante
e escorram na espinha de sul a norte.



Enraizem as letras no torso ereto
qual rocha que não se esvai ao vento
e nem murchem, seja a paz sustento
encrespando em mar ao seco deserto.



Coaduno ao papel que não enregela
sorva da água em vapor e harmonia
espiralando fartas cores à aquarela,




e à luz ofusque a indiferença
da tinta que tem só foco a sangria,
a seca da sua própria violência.




Em 24 de abril de 2008


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Memórias Dos Roseirais

Memórias Dos Roseirais *
Milamarian



Tu, que foste tão somente meu outrora
povoas o pensamento nos repentes
todos! que vem e vão, são tangentes
arrancando de mim doces memórias.


Fazes me viver as sementes suaves
das divinas lembranças de teu amor
que me foi tão imenso em cada alvor
e me fizeram em ti, Fobos em Marte.


Quiseste que alegre fosse o canto
a ecoar do meu âmago sem ais!
Ora então, deito no memorando,


as purpúreas rosas e gerânios
de nossas almas junto aos roseirais
onde tu me deste amor! Sem lanhos.



Em 23 de abril de 2008.
* A M.B.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

À Sombra Do Olmeiro




À SOMBRA DO OLMEIRO
Milamarian


Vendados os olhos e já tão turvos
pelo estampido que obliterava,
não sentiam que eras tu quem pulsavas
dentro dos ouvidos oclusos e surdos!

Na cegueira não pudera reconhecer
que o nenúfar que se volta ao alvor
pousado estava nas mãos em amor
estendidas! A me amar e socorrer.

Alburno forte dum nobre olmeiro
(entrelaçado à seiva da oliveira)
cingira firme à seara e ao sobreiro,

na porção maior ante o temporal
dando sombra à flor-de-cerejeira
qual alpendre de estrelas e cristal.


Em 22 de abril de 2007.

Leveza Que Vem Dos Céus

Leveza Que Vem dos Céus
Milamarian

À Luz Sampaio


O vento bateu firme e forte
brisa que vinha daquele sul
onde bem sei a azálea é azul
bruma no céu rumo ao norte.

Quiçá airosa borboleta
trazendo nas asas a ternura
de sua alma sem nem hulha
e o pólen junto à sua paleta.

Pousa aqui todo o jaspe de ti!
Tu que és daquele arrabalde
e tua essência é alvo organdi,

com a leveza do verde trigal
e traspassa searas e mares
nesta terra e noutra qual sal.

Em 19 de abril de 2008.

sábado, 19 de abril de 2008

Um Anjo de Amor E Paz

Um Anjo de Amor e Paz
(Acróstico)
Milamarian


Era qual um anjo que de lá vinha
movia-se firme ao brando vento
e àquela visão, o solo e o firmamento
retiniam, em louvor à nova pinha;
sussurrava o mar de tão contente
ornado pela pérola que junto à onda
navegava, balouçando brincalhona!

Wahei brilhante havia nas asinhas dele
acenando ao horizonte tão distante
trazia tatuado o destino edificante
ali junto à seara, na seiva tão solene;
nacarado e transparente era o seu olhar
adormeceria ele, junto às flores tanto amor
beijando o ventre que lhe deu todo o vigor
ele teria o brilho do sol, a força que vem do mar.

Em 20 de abril de 2008.

wahei= paz

Da Quinta Das Aveleiras





Da quinta das Aveleiras
Milamarian


Aos pés da linda alvelaneira
ecoa daquele berço de ouro
o som de pássaros canoros
e o vagido na vez primeira.


Divina Santa que enrubesce
deitando a seiva à sua terra
às duras penas ainda aderna
o seu sorriso em fina prece:


"Avelã, gema de terna alegria
rebenta num formoso portento
traz-me o sol e a clara luz do dia!


Orvalha o relvado de meu ser
enternece a guia a teu contento
pois que só tu, és todo meu viver!"


Em 19 de abril de 2008.